O segundo volume do curso dedica-se à análise das diversas abordagens criminológicas desenvolvidas ao longo do século XX, promovendo, sob uma perspectiva decolonial, um contraponto entre a tradição crítica / cultural e a tradição administrativa de criminologia. Nossa abordagem está inspirada na percepção de Jock Young sobre a existência de uma oposição entre duas grandes tradições criminológicas: a) uma tradição plenamente inserida na modernidade / colonialidade, identificada com o classicismo e o positivismo, cuja trajetória ainda se desenrola na atual quadra histórica nas teorizações contemporâneas da criminologia administrativa; b) Uma tradição crítica e cultural que tem origem nos trabalhos de Marx, Durkheim, Weber, Kropotkin e Simmel. Essa tradição foi desenvolvida na sociologia norte-americana da Escola de Chicago, nas contribuições teóricas de Sutherland e Merton, nas teorias subculturais e da rotulação, além da sociologia britânica da transgressão e das teorias conflituais em geral. Nas décadas seguintes, consolidou-se com as abordagens das criminologias crítica, abolicionista e cultural, assim como pela trajetória paralela da criminologia feminista, cujo diálogo com essa tradição é constantemente marcado por aproximações e tensões.
Nosso propósito consiste em redesenhar os fundamentos em torno dos quais uma aliança criminológica relevante possa ser constituída e assim, fundar um terreno comum a partir do qual o domínio da criminologia administrativa possa ser contestado, alinhando as trajetórias de resistência da tradição crítica e cultural e incorporando o melhor da tradição feminista e do pensamento decolonial para elevar a resistência cognitiva criminológica a um novo patamar político e epistemológico.
Autores: Salah H. Khaled Jr. e Wayne J. Morrison